Há 40 anos, um cantor austríaco quebrava todas as regras da indústria fonográfica ao colocar uma faixa em alemão no primeiro lugar da parada britânica.
A música ganhava sua faceta mais erudita e audaciosa, quando em maio de 1986, o austríaco Falco alcançava o posto mais alto do UK Charts com "Rock Me Amadeus".
Mais do que um hit passageiro, a música era uma declaração de guerra estética: a fusão agressiva do synthpop com a atitude rebelde que define a essência rock.
Inspirado pelo sucesso do filme “Amadeus”, de 1985, Falco não se limitou a homenagear Wolfgang Amadeus Mozart, ele o resgatou como o primeiro rockstar da história. E fez isso com uma batida industrial e um vocal que flertava com o rap, numa época em que o gênero ainda buscava seu espaço.
"Rock Me Amadeus" trouxe para o mainstream a extravagância, o excesso e a genialidade torturada, elementos vitais do DNA do rock. O resultado foi uma dominação global em plena era da MTV.
Além do Reino Unido, a canção conquistou o topo da Billboard nos Estados Unidos, provando que a barreira da língua é inexistente quando a atitude fala mais alto.
"Rock Me Amadeus" não é apenas pop; é o espírito de inovação e o choque cultural que mantém o rock vivo. Quarenta anos depois, o grito de "Amadeus, Amadeus!" ainda ecoa como um dos momentos mais autênticos e disruptivos da melhor safra de músicas boas, a década de 1980.