Marcelo Drummond Nova foi fundador e vocalista da banda baiana Camisa de Vênus, no início dos anos 1980, quando lançaram vários sucessos como "Eu Não Matei Joana Darc", "Só o Fim", e "Simca Chambord", entre outras.
A banda era muito escrachada, com letras proibitivas para a época, mas o destaque fica por conta da letra de “Simca Chambord”, pois o Camisa de Vênus utiliza o carro como símbolo de status e ascensão social para a classe média dos anos de 1960, o entusiasmo do pai ao comprar o veículo, e o orgulho da família refletem o otimismo do Brasil no período anterior ao golpe militar de 1964, quando o governo de João Goulart prometia prosperidade e liberdade.
A música muda de tom ao abordar a chegada do regime militar. A letra vai além da simples perda do carro, funcionando como metáfora para o fim das expectativas de progresso e liberdade da população. O verso "Eu me senti tão só dentro do Simca Chambord" reflete o medo, a repressão e o isolamento. A frase "Eles fizeram pior, acabaram com o Simca Chambord" simboliza o fim da liberdade e a entrega da indústria nacional aos interesses estrangeiros (com a aquisição da filial brasileira pela Chrysler).
A canção se destacou nas rádios e ajudou a consolidar o Camisa de Vênus como uma das grandes bandas do rock nacional de sua época. No entanto, apesar de parecer uma simples música sobre um carro, a composição de Marcelo Nova e Miguel Cordeiro carrega uma mensagem que vai muito além da nostalgia.
Após lançarem cinco álbuns de estúdio, em 1988 Marcelo Nova iniciou sua carreira solo tendo gravado, no ano seguinte, um LP ao lado de Raul Seixas, intitulado "A Panela do Diabo", quando sairam juntos em turnê pelo Brasil.
Após a morte de Raul Seixas, e um periodo em carreira solo, Marcelo Nova reúne o Camisa de Vênus novamente, e a banda se mantém em atividade até os dias atuais com uma agenda cheia de shows.